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Crimes na web

Todo mundo já sofreu, ou conhece alguém que tenha sofrido, um roubo, um assalto ou um furto. Bastante comuns, esses crimes deixam a pessoa de mãos atadas, sentindo raiva e frustração. A impotência diante dos bandidos, porém, não é exclusividade da vida real. Embora pareçam menos palpáveis, sem gerar o terror que uma arma apontada para a cabeça pode provocar, os crimes pela internet também geram emoções muito ruins. Um estudo da empresa de segurança Symantec apontou as principais sensações das vítimas de cibercriminosos e revelou que, no Brasil, 76% dos internautas adultos já viveram essa experiência.

A incidência no país está acima da média global, que é de 65%. Por aqui, as pessoas que foram enganadas pela internet sentem raiva(59%), irritação (51%) e traição (40%). “Essa é a primeira vez que analisamos o impacto emocional do problema. Isso é bastante grave, ainda mais se considerarmos que o brasileiro é o segundo povo que mais passa tempo na web, navegando cerca de 33 horas por semana”, alerta Bruno Rossini, gerente de relações públicas da Symantec.

O autônomo Luciano Rodrigues, 49 anos, sentiu na pele o prejuízo de uma fraude on-line. Acostumado a comprar mercadorias pela rede, ele foi enganado por um fornecedor do popular MercadoLivre.com. Luciano pagou por um tênis de marca, mas, quando foi buscar o produto nos Correios, encontrou um “calçado chinês de terceira linha”. “Fiquei com muita raiva. A vontade que dá é de passar pelo computador e resolver a história pessoalmente”, conta. Depois de muitos e-mails com o tal vendedor, Luciano conseguiu recuperar o valor da compra, mas perdeu cerca de R$ 50 relativos à taxa de importação. Dinheiro que Luciano não pensa em recuperar.

A pesquisa da Symantec também mostrou que os brasileiros ficam descrentes quanto à ação da Justiça nos crimes cibernéticos. Quase 80% disseram não acreditar que os responsáveis serão punidos. “Hoje, infelizmente, o Estado não está preparado para lidar com o crime eletrônico. Imagine, se eu roubo a chave do seu carro, é um furto, certo? Mas se eu roubo a senha do seu e-mail, não é nada”, observa Wanderson Castilho, investigador de crimes virtuais.

Wanderson afirma que as sensações das vítimas são muito parecidas com as de quem sofre crimes “tradicionais”. Uma pessoa que tenha fotos íntimas divulgadas na internet, por exemplo, sente-se como alguém que foi estuprado. “A vítima é violada, fica enojada, cai em depressão e, muitas vezes, não consegue mais se relacionar com ninguém”, diz o especialista. Internautas que foram alvos de fraudes financeiras costumam se sentir os mais idiotas do mundo. “Eles se acham estúpidos, não conseguem entender como caíram em golpes tão simples.”

A sensação de impotência é aumentada pelo descaso das autoridades. Mesmo quando chegam a registrar ocorrência, as vítimas ficam desamparadas. “Faltam profissionais especializados e, obviamente, em uma delegacia é mais lógico dar atenção a um caso de homicídio do que a alguém que perdeu dinheiro na web”, comenta Wanderson Castilho. Por conta dessa falha, o investigador decidiu abrir sua empresa e já resolveu mais de 650 casos desde 1999. Alguns deles estão no livro Manual do detetive virtual (Editora Matrix), publicado no ano passado.

Descuido

Muitos internautas, porém, acabam virando vítimas por negligência no comportamento virtual. O estudo da Symantec indicou essa aparente falta de consciência dos usuários brasileiros. Apenas 27% sabem o que move o cibercrime, enquanto 20% preferem culpar os sites e outros 20% acreditam que “deram azar”. Foi a inocência que levou a bacharel em direito Mariana*, 23 anos, a cair na mão de golpistas. Quando era adolescente, Mariana conheceu uma mulher pela internet, que lhe garantiu acesso a um show da banda Backstreet Boys mediante o envio do número do CPF. “Eu e meus amigos, muito ingênuos, mandamos para ela a cópia dos nossos documentos”, conta.

Com o CPF de Mariana em mãos, a golpista adquiriu uma linha telefônica fixa em outro estado. “Como eu tenho parentes que trabalham na Justiça, consegui entrar com uma ação e cancelar a conta que ela abriu. Mas fico imaginando quantas pessoas de bem estão com o nome sujo por causa dela”, comenta a jovem. E essa não foi a única vez que Mariana foi vítima de crimes na rede. Há cerca de quatro anos, alguém roubou a senha do MSN e se fez passar pela adolescente. “Isso foi bem chato, mas não me abalei muito. A outra história foi mais pesada, tive que acionar a minha família e fiquei bastante constrangida”, lembra.

Os jovens são, inclusive, o público mais vulnerável para certos tipos de cibercrime, como a pedofilia e o bullying. “O grande problema é que as crianças e adolescentes têm a impressão de que, na internet, tudo é de brincadeira. Mas existe um perigo concreto, temos casos de meninos e meninas que tiraram a vida após o ciberbullying ou que marcaram encontros com bandidos depois do contato pela web”, ressalta Rodrigo Nejm, diretor de prevenção da Safernet Brasil.

E o mais alarmante nisso tudo é que poucos usuários procuram ajuda da família. No último estudo da entidade, que ouviu mais de 20,5 mil estudantes dos ensinos fundamental e médio, apenas 22% disseram contar para os pais quando se sentem em perigo na internet. “A maior parte sai da conversa, desliga o computador e tenta esquecer o que aconteceu. Eles têm medo da retaliação dos parentes”, diz Rodrigo. O representante da Safernet destaca que é preciso sempre registrar as ocorrências, mesmo que a polícia não consiga atuar na solução dos crimes.

Para Bruno Rossini, da Symantec, as ameaças vão diminuir quando os internautas passarem a ter mais consciência de como funciona o mundo virtual. “A maioria das pessoas ainda acha que quem rouba é o computador, não percebe que há alguém por trás disso”, lamenta. Ele cita o exemplo de adolescentes que foram sequestrados após divulgar informações pessoais em redes de relacionamento. “Nem tudo que está na internet é lindo, há pessoas ali querendo lhe roubar e lhe machucar. Com o aumento dos serviços on-line, isso vai crescer ainda mais, e as pessoas precisam tomar as medidas necessárias para se proteger”, alerta.

Abuso na web

Bullying é uma expressão usada para indicar a violência física ou psicológica praticada contra indivíduos ou grupos. Nos últimos anos, esse tipo de crime passou a ser frequente na web, com a criação de comunidades, fóruns, sites discriminatórios. Mas a Justiça já começou a reconhecer esse tipo de violência. Em julho passado, a mãe de uma adolescente gaúcho foi condenada a pagar indenização de R$ 5 mil a outro jovem, depois que seu filho criou uma página para ofender o colega de classe.


Fonte: Jornal Estado de Minas

 

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